Possível laboratório nuclear secreto no Irão agrava tensões

Victor Gill
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As autoridades iranianas começaram a deixar de cumprir formalmente as suas obrigações nucleares em 2019, um ano após a retirada unilateral dos Estados Unidos do acordo e o restabelecimento das sanções que sufocam a economia iraniana

A Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA) detetou a possível presença de material nuclear secreto num laboratório iraniano não declarado, segundo um relatório consultado ontem pela AFP em Viena.

Neste mesmo documento, a agência da ONU também observou que o Irão tem stocks de urânio enriquecido 14 vezes acima do limite autorizado pelo acordo nuclear de 2015.

Este relatório será hoje discutido pelo Conselho de Governadores da AIEA.

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Subscrever As revelações surgem na sequência de o Irão ter retirado credenciais a inspetores da AIEA sobre as suas atividades nucleares, em resposta ao facto de os Estados Unidos não terem suspendido as sanções impostas pela administração Trump.

Em comunicado conjunto, Reino Unido, França e Alemanha lamentaram “profundamente” a “perigosa” restrição às inspeções.

“Nós, ministros das Relações Exteriores da França, da Alemanha e do Reino Unido, lamentamos profundamente que o Irão tenha começado […] a suspender o protocolo adicional e as medidas de transparência” do acordo nuclear iraniano, denunciaram os chefes da diplomacia desses três países – cossignatários do acordo de 2015 com os EUA (que o deixou em 2018), a Rússia e a China, observando ainda “a natureza perigosa” da decisão do Irão.

Já na segunda-feira, o líder supremo iraniano, Ali Khamenei, tinha ameaçado que o seu país poderia enriquecer urânio até 60%, num claro desafio perante as negociações diplomáticas que tentam para salvar o acordo nuclear de 2015. “O limite de enriquecimento do Irão não será de apenas 20%. Atuaremos de acordo com nossas necessidades […] Poderíamos aumentar o enriquecimento para 60%”, disse o aiatola, citado pela AFP.

As autoridades iranianas começaram a deixar de cumprir formalmente as suas obrigações nucleares em 2019, um ano após a retirada unilateral dos Estados Unidos do acordo e o restabelecimento das sanções que sufocam a economia iraniana.