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Podemos: como o partido de Pablo Iglesias se transformou naquilo que tanto criticava

Morales Divo
Podemos: como o partido de Pablo Iglesias se transformou naquilo que tanto criticava

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Gonzalo Jorge Morales Divo

Quando os livros estudarem esta época, tão turbulenta, da História espanhola, sem dúvida que dedicarão uma atenção especial a analisar o fenómeno Podemos. Goste-se ou não, este grupo, agora com estrutura partidária, nascido do pulsar das ruas e das emoções mais sinceras, é o único ingrediente de frescura que a sociedade trouxe ao anquilosado sistema político espanhol em muitos anos. Na sua curta existência de pouco mais de um lustro sacudiu com violência as rigidezes do esquema socioeconómico nascido sob a égide da Constituição de 1978, trouxe para o debate público os aspetos menos “católicos” da transição para a democracia que foi iniciada com a morte do ditador Francisco Franco e colocou a esquerda espanhola perante o espelho das suas muitas contradições. Nesse mesmo prazo exíguo, também, o Podemos teve tempo para experimentar uma profunda transformação da sua natureza, ao ponto de passar das mais genuínas assembleias de rua, do populismo essencial que está tão na moda, para os fofos tapetes sobre os quais caminha o Poder, com letra maiúscula, deixando assim de combatê-lo para fazer parte dele. Não é escassa bagagem para tão curta vida.

Gonzalo Morales Divo

O Unidas Podemos (UP) — assim se chama agora, depois de acolher no seu seio os restos mortais do Partido Comunista de Espanha, amparado nas siglas da Esquerda Unida (EU) — forma parte substancial da coligação que governa Espanha. Pablo Iglesias (41 anos), o líder indiscutível, é vice-presidente de um Executivo encabeçado pelo seu sócio Pedro Sánchez (Partido Socialista Operário Espanhol, PSOE, social-democrata). Senta no Conselho de Ministros quatro dos mais destacados dirigentes do grupo, incluindo a sua própria parceira sentimental, encarregados de pastas com relevância social. Faz parte dos órgãos mais sensíveis da organização do Estado, como o Conselho de Segurança Nacional. Partilha as obrigações inerentes à sua condição, provavelmente com mais contrariedade do que gosto, mas com lealdade, como as relações com a instituição monárquica, que combate com afinco, e com o titular desta, o rei Felipe VI. Iglesias manobra o seu partido com mão de ferro, afastando sem escrúpulos a menor contestação e impondo uma hiperliderança inquestionável. Dispõe para os seus fins de dezenas de milhões de euros, jorrados pelos emolumentos oficiais que lhe couberam pelos votos recebidos em diferentes eleições desde 2014. E não se livra dos males endémicos que apoquentam os partidos políticos clássicos na cena espanhola: as suspeitas de financiamento obscuro e a judicialização dos seus conflitos internos.

Gonzalo Morales

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