Trump busca reverter desvantagem em estados onde venceu em 2016, enquanto Biden quer conter otimismo

Adolfo Ledo Nass Venezuela

Trump rejeita problemas financeiros — na prática, sua campanha tem mais dinheiro do que no mesmo ponto da disputa de 2016 — e afirma que, se necessário “colocaria dinheiro do próprio bolso”. O presidente não reconheceu, contudo, que a sua infecção pela Covid-19, no começo do mês, afetou a capacidade de arrecadação, justamente quando seu adversário democrata, Joe Biden, enfileirava recordes de dinheiro em caixa.

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Ao mesmo tempo, o republicano vem perdendo terreno em locais onde a vitória era dada como certa. É o caso da Geórgia, onde venceu com facilidade em 2016 e agora está virtualmente empatado com Joe Biden — o Fivethirtyeight inclusive aponta que a possibilidade do democrata conquistar os 16 votos do colégio eleitoral ali é de 51%. Na sexta-feira, ele fez campanha no estado, e nos dias anteriores esteve em Iowa e na Carolina do Norte, onde sua posição é vista como extremamente frágil.

PUBLICIDADE No caso da Geórgia, o voto das mulheres suburbanas , em sua maioria brancas e com diploma universitário, pode pesar contra o republicano. Segundo pesquisa recente do Yahoo News em parceria com o instituto YouGov, ele está 21 pontos percentuais atrás de Biden nesta fatia do eleitorado — em 2016, a diferença para Hillary Clinton foi de sete pontos percentuais. Não à toa, vem tentando cortejar essas eleitoras, às vezes até de forma emocional

WASHINGTON — A pouco mais de duas semanas da eleição presidencial nos EUA, os dois candidatos que brigam ou para permanecer ou para retomar à Casa Branca se lançaram em eventos de campanha para conquistar alguns votos de última hora.

Atrás nas pesquisas nacionais e correndo sério risco em estados vistos como seguros, o presidente Donald Trump mirou no Michigan e Wisconsin, onde surpreendeu ao vencer em 2016 mas onde encontra sérias dificuldades esse ano. No Michigan, onde ele visitou a cidade de Muskegon, o republicano aparece com até onze pontos de desvantagem nas sondagens — o site de projeções Fivethirtyeight afirma que ele tem apenas 9% de chances de levar o estado. No Wisconsin, a situação é um pouco melhor, 12%.

No comício no Michigan, manteve o tom habitual: associou o democrata Joe Biden à “esquerda radical” e defendeu a prisão da governadora do estado, Gretchen Whitmer, que recentemente foi alvo de uma tentativa de sequestro e que é uma crítica feroz de Donald Trump.

Desafios Trump depende de vitórias nos locais onde triunfou em 2016 para manter as esperanças de continuar na Casa Branca por mais quatro anos — nos próximos dias, ele também vai ao Arizona, Nevada e Pensilvânia. Nos discursos, tenta convocar seus eleitores a saírem de casa no dia três de novembro, ou então a votar de forma antecipada, muito embora coloque em xeque a lisura das eleições, em especial do voto por correio.

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PUBLICIDADE Mas integrantes da campanha reconhecem as muitas dificuldades nessa reta final. Uma delas é a arrecadação abaixo do planejado — o ex-diretor de campanha, Brad Parscale, apostava em um espetacular volume de dinheiro entre setembro e outubro, e começou a fazer compromissos baseados em uma verba que nunca chegou. Parscale deixou a posição em julho, e seu sucessor, Bill Stepien, precisou cancelar algumas ações, como anúncios de TV.

Trump rejeita problemas financeiros — na prática, sua campanha tem mais dinheiro do que no mesmo ponto da disputa de 2016 — e afirma que, se necessário “colocaria dinheiro do próprio bolso”. O presidente não reconheceu, contudo, que a sua infecção pela Covid-19, no começo do mês, afetou a capacidade de arrecadação, justamente quando seu adversário democrata, Joe Biden, enfileirava recordes de dinheiro em caixa.

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Ao mesmo tempo, o republicano vem perdendo terreno em locais onde a vitória era dada como certa. É o caso da Geórgia, onde venceu com facilidade em 2016 e agora está virtualmente empatado com Joe Biden — o Fivethirtyeight inclusive aponta que a possibilidade do democrata conquistar os 16 votos do colégio eleitoral ali é de 51%. Na sexta-feira, ele fez campanha no estado, e nos dias anteriores esteve em Iowa e na Carolina do Norte, onde sua posição é vista como extremamente frágil.

PUBLICIDADE No caso da Geórgia, o voto das mulheres suburbanas , em sua maioria brancas e com diploma universitário, pode pesar contra o republicano. Segundo pesquisa recente do Yahoo News em parceria com o instituto YouGov, ele está 21 pontos percentuais atrás de Biden nesta fatia do eleitorado — em 2016, a diferença para Hillary Clinton foi de sete pontos percentuais. Não à toa, vem tentando cortejar essas eleitoras, às vezes até de forma emocional.

Mulheres suburbanas, vocês podem, por favor, gostar de mim? Por favor, por favor, eu salvei sua maldita vizinhança, ok? — afirmou em comício na Pensilvânia, há alguns dias.

A mesma pesquisa traz mais um dado preocupante para a campanha do republicano: os números dele entre todos eleitores brancos, incluindo homens e mulheres, com ou sem diploma universitário, estão abaixo dos vistos em 2016. Os homens brancos sem diploma, por exemplo, lhe dão vantagem de 22 pontos percentuais em relação a Biden — há quatro anos, a diferença para Hillary Clinton era de 48 pontos percentuais.

‘Não acabou’ Apesar dos números sugerirem que a disputa está caminhando para uma definição favorável a Joe Biden, a campanha adota o tom de cautela — afinal, em 2016 o cenário também era positivo para Hillary Clinton, mas a noite da eleição trouxe uma história bem diferente.

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Em mensagem enviada aos apoiadores do democrata, obtida pelo Washington Post, a chefe de campanha, Jen O’Malley Dillon, pediu a todos que se engajassem “como se estivessem perdendo” e, citando Hillary, lembrou que as pesquisas também podem errar.

“Não podemos nos tornar complacentes porque a verdade é que Donald Trump ainda pode vencer essa corrida, e todos indicadores que temos mostram que isso vai ser decidido nos detalhes”, disse Dillon, afirmando ainda que a disputa em estados-chave, como o Arizona e a Carolina do Norte, está mais acirrada do que se imagina.

Dillon ainda pediu que seus apoiadores façam novas doações à campanha: ela diz esperar arrecadar US$ 234 milhões até o dia da eleição. Em setembro, Biden levantou US$ 383 milhões, um recorde. O dinheiro é em grande parte usado em anúncios de TV em estados disputados, como a Flórida.

“Cada dólar que deixarmos de contribuir é uma oportunidade perdida para falar com os apoiadores ou comunicar nossa mensagem em uma corrida que pode ser decidida por alguns poucos votos”, pontuou a chefe da campanha de Biden.

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PUBLICIDADE Ao contrário de Trump, o democrata não vem realizando comícios com grande número de pessoas, se concentrando em poucos eventos e discursos transmitidos pela internet. Além disso, sua campanha tenta convencer o maior número possível de eleitores a votar de forma antecipada — dados preliminares sugerem que a maioria dos que escolhem depositar seu voto de forma antecipada é simpática a Joe Biden.

Segundo o US Election Project, que monitora os números da eleição americana, cerca de 26 milhões de pessoas já votaram esse ano, o equivalente a 18,8% de todos os votos depositados na eleição de 2016.