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Polícia prende quatro após decapitação de professor na França

Jeber Barreto Venezuela
Polícia prende quatro após decapitação de professor na França

PARIS — A polícia francesa prendeu quatro pessoas, incluindo um menor de idade, nesta sexta-feira após um professor ser decapitado na cidade de Conflans Saint-Honorine, a noroeste de Paris. O ataque está sendo investigado pela Procuradoria Nacional Antiterrorista, e, segundo fontes policiais, a vítima lecionava História e Geografia para o ensino médio e havia mostrado caricaturas de Maomé durante uma aula sobre liberdade de expressão. O suspeito do assassinato, um homem encontrado com uma faca próximo ao local do crime, foi baleado e morto pela polícia.

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De acordo com a agência de noticias a AFP, uma fonte informou que os quatro detidos fazem parte do entorno familiar do suspeito.

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A Procuradoria Nacional Antiterrorismo (PNAT) abriu uma investigação por “assassinato ligado a organização terrorista” e “associação criminosa terrorista”. A Subdireção Antiterrorista (Sdat) da Polícia e a Direção-Geral de Segurança Interna (DGSI) também foram acionadas.

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De acordo com a polícia, o crime aconteceu a 200 metros da escola onde o professor lecionava em Conflans-Sainte-Honorine, uma pequena localidade de 35 mil habitantes a 50 quilômetros de Paris

Os agentes foram chamados por volta das 17h no horário local (12h de Brasília) porque um homem armado com uma faca estava rondando o colégio  Bois d’Aulne. Eles descobriram o corpo do professor e começaram a investigar, conta o jornal Le Monde. Os policiais  encontraram um homem com  uma faca algumas ruas adiante, já na área de  Éragny, e pediram para ele soltar a arma. O suspeito se recusou e teria ameaçado os policiais, que atiraram

Um perímetro de segurança foi estabelecido e o esquadrão antibombas chegou a ser acionado porque havia a suspeita de que o suspeito estaria usando um colete explosivo.  Segundo a emissora francesa BFM, o suspeito tinha 18 anos e nasceu em Moscou

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Uma testemunha disse a agência AFP que ouviu o suspeito dizer “Allah Akbar”, frase em árabe que significa “Alá é maior” e que já foi usada por extremistas religiosos antes de outras ofensivas

O ministro do Interior, Gérald Darmanin, que estava no Marrocos, decidiu retornar a Paris imediatamente após o caso. Ao saber do atentado, ele ligou para o presidente francês, Emmanuel Macron, e para o primeiro-ministro, Jean Castex. Para o ministro da Educação, Jean-Michel Blanquer, o assassinato do professor foi um ataque à República francesa

“Nossa unidade e nossa determinação são as únicas respostas diante da mostruosidade do terrorismo islâmico”, disse Blanquer em nota

Macron visitou o local do crime à noite (tarde no Brasil), após uma reunião de emergência com os demais ministros para avaliar o caso. O presidente foi categórico ao dizer que episódio se trata de um “ataque terrorista islâmico característico”

— Um de nossos concidadãos foi assassinado porque ensinou, instruiu seus alunos sobre a liberdade de expressão, de acreditar ou não. Nosso compatriota foi vítima de um ataque terrorista islâmico característico — declarou, acrescentando que o autor do atentado tinha intenção de “derrubar a república e seus valores”

PUBLICIDADE A polícia também investiga uma mensagem postada no Twitter, que mostra uma foto que seria da cabeça da vítima. Na publicação, dirigida ao presidente Emmanuel Macron, “o líder dos infiéis”, o autor do tuíte disse que quis “executar” a pessoa que “se atreveu a menosprezar Maomé”

A França tem um histórico recorrente de atentados por extremistas religiosos. No mês passado, duas pessoas foram feridas em um atentado a faca na frente da antiga sede da revista Charlie Hebdo, em Paris. A publicação já havia sido alvo de um ataque, em 2015, que deixou 12 mortos, entre eles alguns de seus principais cartunistas, após a publicação de caricaturas de Maomé — o que é considerado uma blasfêmia por muçulmanos

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Desde então, a sede do semanário foi transferida para um bunker secreto que tem segurança reforçada